O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nesta quinta-feira (2/12), foi rejeitado por unanimidade o recurso que pedia a cassação do mandato e a declaração de inelegibilidade do senador Jorge Seif, eleito por Santa Catarina nas eleições de 2022mantendo o resultado das urnas e confirmando o entendimento anteriormente adotado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).
Como foi a decisão do TSE em relação à gestão de Jorge Seif no Senado?
O caso girou em torno de acusações de abuso de poder econômico e uso irregular de estruturas empresariais durante a campanha. Com a decisão, o senador do PL-SC permanece no cargo e não está sujeito a nenhuma restrição para disputar futuras eleições.
A ação de investigação judicial eleitoral buscava não apenas a perda do mandato, mas também a imposição de inelegibilidade por oito anos. As acusações, porém, foram consideradas insuficientes pelos ministros, que apontaram a falta de provas robustas para caracterizar abuso de poder econômico.
Como o processo contra Jorge Seif chegou ao TSE?
O processo chegou ao TSE por meio de recurso da coligação Bora Trabalho (PSD, Patriota e União Brasil), que contestou a decisão do TRE-SC. A coligação alegou que o senador havia se beneficiado de apoio econômico irregular de empresários e de um sindicato, sem a devida declaração à Justiça Eleitoral.
Entre os pontos mencionados estavam o uso de helicópteros, estruturas de comunicação corporativa e possível financiamento publicitário por sindicato. Foi também mencionado o apoio logístico e de comunicação que, segundo os autores da ação, teria ido além da colaboração regular dos apoiantes.
Por que o TSE rejeitou o pedido de cassação do mandato?
No julgamento, os ministros destacaram que a cassação de mandato exige provas consistentes e irrefutáveis de irregularidades eleitorais. A Presidente do Tribunal, Ministra Cármen Lúcia, enfatizou que o processo apresentava apenas elementos indicativos, insuficientes para uma medida tão grave.
Para o Tribunal, embora existam fatos apontados pela acusação, não houve demonstração inequívoca de que esses fatos desequilibraram a disputa. O relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, reiterou que a Justiça Eleitoral não pode se basear apenas em presunções para destituir um parlamentar eleito.
Quais foram as principais denúncias analisadas pelo TSE?
As denúncias detalhadas no processo foram examinadas à luz do potencial de desequilíbrio eleitoral e da forma como teriam sido declaradas nas contas. O Tribunal concluiu que os factos, tal como provados, não constituíam abuso económico suficiente para justificar a revogação.
Dentre as condutas destacadas pela coalizão autora da ação, destacaram-se: suposto apoio material e estrutural de empresários e sindicatos durante a campanha eleitoral:
- Uso de helicóptero propriedade do empresário Osni Cipriani para viagens de campanha;
- Apoio estrutural lojas do empresário Luciano Hang, incluindo transporte aéreo, canais oficiais da empresa, salas de gravação e participação de funcionários em ações promocionais;
- Suposto financiamento de propaganda eleitoral por parte de um sindicato, sem registos contabilísticos adequados.
O que estava em jogo para a carreira política do senador?
A ação de investigação eleitoral teve potencial para alterar o quadro político de Santa Catarina e do Senado Federal. Se o pedido for bem-sucedido, Jorge Seif poderá perder o mandato e ficar inelegível por oito anos, afetando diretamente seus futuros projetos eleitorais.
Terminado o julgamento, o caso se torna um exemplo recente do alto padrão de prova exigido pela Justiça Eleitoral para destituir um parlamentar. O episódio continua a alimentar o debate jurídico e político sobre os limites entre o apoio de terceiros nas campanhas e o abuso do poder económico. Veja a publicação recente do senador:
Como Jorge Seif reagiu à decisão do TSE?
Após a decisão, Jorge Seif divulgou nota pública na qual tratou o desfecho como um momento de gratidão e reflexão. Ele afirmou que o julgamento confirmou a legitimidade do resultado das urnas de 2022 e a ausência de irregularidades, conforme já decidido pelo TRE-SC.
O senador agradeceu aos seus apoiadores, aliados e à equipe jurídica que o acompanhou no processo, afirmando que sai do episódio com maior senso de responsabilidade pelo seu mandato. Seif declarou que pretende basear sua atuação em três pilares: fé em Deus, respeito à democracia e compromisso com o povo de Santa Catarina e do Brasil.





