Para o Eleições de 2026 terá como pano de fundo um cenário inédito no comando dos dois principais Cortês responsável pelas questões eleitorais no país. Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) será presidido por Edson Fachin, com Alexandre de Moraes como deputado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ficará sob liderança de Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência. A composição revela diferentes estilos de atuação institucional em um ano em que se esperam fortes disputas políticas e alta judicialização.
Como serão os perfis de atuação do STF e do TSE em ano eleitoral?
No STF, a combinação de Edson Fachin e Alexandre de Moraes refere-se à atuação firme na defesa do sistema eleitoral e na reação institucional aos ataques de 2023. Fachin presidiu o TSE no início daquele ano, colaborando na preparação das eleições e no enfrentamento às narrativas contra as urnas eletrônicas.
Moraes assumiu então o comando da Justiça Eleitoral e responsabilizou os envolvidos nos atos do 8 de janeiro. Sua gestão foi marcada por decisões rápidas, ampliação do combate à desinformação e intenso uso de medidas cautelares para preservar a integridade do processo democrático.
Como a presidência de Nunes Marques e André Mendonça pode influenciar o TSE?
Nó TSEa futura presidência da Nunes Marquestendo André Mendonça como vice-presidente, representa um movimento de mudança de perfil. Ambos foram indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e, até o momento, não ocuparam cargos de gestão na Justiça Eleitoral, o que gera expectativas sobre um estilo mais contido e institucionalmente discreto.
Em julgamentos importantes, como o que resultou na inelegibilidade de Bolsonaro, Nunes Marques adoptou posições mais restritivas sobre o papel do tribunal, argumentando que o Tribunal não deveria funcionar como um “terceiro turno” de eleições. Mendonça também enfatizou a necessidade de decisões com base técnica, com menor protagonismo político para a Justiça Eleitoral.
Qual será o impacto do novo perfil do TSE na condução do processo eleitoral?
Nunes Marques e André Mendonça sinalizaram uma postura de maior discrição e menor protagonismo da Justiça Eleitoral. Mendonça declarou que a nova liderança do TSE deve atuar com imparcialidade, discrição e foco na base técnica das decisões, ouvindo todas as partes, o que foi visto como um contraste em relação à gestão de 2022.
Ao mesmo tempo, a composição completa do TSE tende a equilibrar esse perfil mais reservado. Embora a presidência e a vice estejam nas mãos de ministros indicados por Bolsonaro, a maioria da Corte será formada por nomes ligados ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo juristas próximos a Moraes e ao ministro Flávio Dino.
Quais as principais funções do TSE em eleições acirradas?
O Tribunal Superior Eleitoral desempenha papel central na organização e acompanhamento das eleições, especialmente em cenários de forte polarização. Em 2026, a atuação do TSE ganhará visibilidade na regulação das redes sociais, no combate à desinformação e na análise da conduta de candidatos e partidos em um ambiente digitalizado e altamente judicializado.
Dentre as principais atribuições da Justiça Eleitoral, destacam-se áreas de atuação que afetam diretamente campanhas, partidos e eleitores em todo o país:
- Definindo as regras do jogo – o TSE emite resoluções que norteiam todo o processo eleitoral, como regras para agilizar a remoção de conteúdos desinformativos e disciplinar a propaganda na internet.
- Julgamento das ações durante a campanha – o Tribunal analisa publicidade irregular, pedidos de direito de resposta e condutas abusivas, interferindo nas estratégias de comunicação dos candidatos.
- Processos de revogação e inelegibilidade – o TSE decide ações que possam acarretar perda de mandato ou declaração de inelegibilidade, inclusive por abuso de poder econômico ou político ou uso indevido de meios de comunicação.
Como será a relação entre STF e TSE em 2026?
Comum STF liderado por Fachin e Moraes e um TSE presidido por Nunes Marquesa relação entre os dois Tribunais tende a combinar equilíbrio institucional e diferenças de abordagem. O STF atua como órgão de controle de constitucionalidade e, em alguns casos, pode revisar decisões da Justiça Eleitoral por meio de recursos extraordinários.
Especialistas avaliam que temas como desinformação, liberdade de expressão nas redes, uso de estruturas públicas em campanhas e limites à intervenção judicial devem gerar debates relevantes entre os Tribunais. Neste cenário, a previsibilidade e a clareza nas regras e decisões serão fundamentais para reduzir espaços de contestação infundada e aumentar a segurança de partidos, candidatos e eleitores.





