O Reforma trabalhista de Javier Mileiaprovado em Senado argentino esta quinta-feira (2/12), marca uma das mudanças mais amplas das últimas décadas nas relações de trabalho do país, ainda dependente de votação no Câmara dos Deputados antes de eventual sanção presidencial.
Qual será o impacto da reforma trabalhista de Milei aprovada no Senado?
A reforma trabalhista de Milei aprovada no Senado altera principalmente o custo das demissões, o formato da jornada de trabalho e a forma de pagamento dos salários. O governo apresenta a proposta como uma tentativa de modernizar o mercado e reduzir a informalidade, que atualmente cerca de 40% da população Força de trabalho argentina.
Um dos pontos centrais é a mudança no cálculo da indenização por demissão sem justa causa. De acordo com a nova redação, elementos como 13º salárioférias e gratificações deixam de ser incluídas na base de cálculo, o que tende a reduzir o valor final recebido pelo trabalhador demitido, principalmente em setores com alta rotatividade.
Como funcionam as novas regras de despedimento e o Fundo de Assistência ao Emprego?
A reforma cria o Fundo de Assistência ao Trabalho (FAL)um mecanismo obrigatório financiado por retenções ligadas à segurança social. Esse fundo será administrado por instituições financeiras, que cobrarão taxa de administração, com a promessa de dar maior previsibilidade aos custos de rescisão das empresas.
A proposta também permite o parcelamento das condenações trabalhistas, o que impacta diretamente no tempo de recebimento dos recursos devidos. As grandes empresas poderão pagar as decisões judiciais em até seis parcelas, enquanto as pequenas e médias empresas terão prazo de até 12 parcelas, o que preocupa entidades que atuam na defesa de trabalhadores em situação de vulnerabilidade econômica. Veja publicação recente do presidente argentino:
ARGENTINA SAI
1. Emprego e Flexibilidade
2. Justiça e Ordem
3. Comércio e prosperidade
MAGA.
VLC!-Javier Milei (@JMilei) 13 de fevereiro de 2026
Quais as principais alterações nos horários de trabalho e férias?
A reforma trabalhista de Milei afeta diretamente a organização do tempo de trabalho, ampliando a margem de negociação para determinados setores. O horário de trabalho diário poderá ser estendido das 8 às até 12 horasdesde que respeitado o descanso mínimo de 12 horas entre os plantões, o que suscita debates sobre saúde ocupacional.
Em relação às férias, o projeto abre espaço para que o descanso anual seja dividido em períodos menores, desde que cada bloco tenha no mínimo sete dias corridos. A reforma também institucionaliza uma Banco de horaspermitindo que as horas extras sejam compensadas com folga, em vez do pagamento automático em dinheiro com adicional.
Como a reforma impacta os salários, a dolarização e os sindicatos?
No domínio remuneratório, a reforma introduz maior flexibilidade na forma de remuneração e na composição salarial. O texto permite pagamento de salários em pesos ou moeda estrangeiraalinhando-se com a crescente dolarização informal da economia argentina e com acordos setoriais que já indexavam os salários à inflação.
Outro novo conceito é o de salários dinâmicosou seja, remuneração variável vinculada à produtividade ou ao mérito individual, ajustável em alguns casos unilateralmente pelo empregador, desde que amparada em convenção coletiva. As federações sindicais, como a CGT, alertam que a combinação de salários dinâmicos, maior flexibilidade dos horários de trabalho e novas formas de compensação poderá reduzir o poder de negociação colectiva e exercer pressão descendente sobre os pisos salariais em sectores com maior desemprego.
Quais são os próximos passos para a reforma trabalhista na Argentina?
Com aprovação no Senado, reforma trabalhista de Milei agora vai para Câmara dos Deputadosonde o texto pode ser alterado, suprimido em partes ou receber salvaguardas adicionais. Se aprovado sem alterações, irá para sanção presidencial; Caso sofra modificações, poderá retornar ao Senado para nova análise, o que poderá alongar o calendário de implementação.
Neste contexto, os sindicatos, as organizações sociais e as entidades empresariais devem intensificar a sua articulação política e jurídica. Para resumir os principais pontos do debate e seus potenciais efeitos, destacam-se alguns elementos centrais do pacote apresentado pelo governo:
- Remuneração sem justa causa sem inclusão de 13º salário, férias e abono na base de cálculo.
- Jornada diária de trabalho de até 12 horas, com mínimo de 12 horas de descanso entre turnos.
- Banco de horas em substituição ao pagamento automático de horas extras.
- Salários em pesos ou moeda estrangeira, conforme acordo individual ou coletivo.
- Salários dinâmicos ligados à produtividade ou ao mérito, com maior variabilidade.
- Feriados divididos em períodos mínimos de sete dias corridos ao longo do ano.





