Um oficina em Goiânia foi condenado a reembolsar um cliente após realizar serviços sem autorização e superfaturar peças em mais de 800%. A sentença, proferida no final de 2025 e com efeitos em 2026, reafirma o rigor do Poder Judiciário contra a retenção indevida de veículos e práticas abusivas no setor automotivo.
Como uma simples troca de pneu resultou em cobrança de R$ 18,4 mil?
O consumidor procurou o estabelecimento para trocar apenas dois pneus, mas foi surpreendido por uma extensa lista de reparos extras não solicitados. Ao tentar retirar o carro, ela foi coagida a pagar o valor integral sob ameaça de retenção do bem, o que a obrigou a parcelar a dívida do cartão de crédito.
Legalmente, esta conduta constitui coação e viola o direito de escolha do consumidor. Em casos como este, os tribunais entendem que o pagamento feito sob pressão não valida o negócio jurídico, principalmente quando o orçamento prévio obrigatório é ignorado pela empresa. A decisão serve como um marco para os consumidores que enfrentam situações de “pushterapia” nos centros automotivos.
Quais irregularidades foram comprovadas pelo laudo pericial no processo?
O laudo pericial foi decisivo para comprovar que muitos dos serviços cobrados, como brunimento de pistão e cambagem traseira, eram tecnicamente desnecessários ou sequer foram executados. Além disso, a investigação expôs a disparidade entre os valores de mercado e os cobrados pela loja. Confira os itens detalhados na decisão do TJGO:
⚖️ Detalhes da frase: TJGO
Exposição de cobranças abusivas e serviços inexistentes
Parte Mecânica
Terminal de direção
Ajuste Técnico
Camber e Caster
❌ Cobranças feitas sem autorização do cliente
Serviço de retificação
Afiação de Pistão
Total Geral de Perda de Material
R$ 17.192,00
(Excesso apurado por perícia judicial)
Quais são os direitos do consumidor ao deixar o carro numa oficina?
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece diretrizes rígidas para proteger o proprietário do veículo contra cotações fantasmas. Para não cair em golpes ou cobranças indevidas na realização de manutenções em 2026, é fundamental que os motoristas conheçam seus direitos básicos e exijam a documentação correta antes de qualquer intervenção:
- Orçamento detalhado: É obrigatório fornecer documento escrito com peças e valores de mão de obra antes de iniciar.
- Autorização Expressa: O cliente deverá autorizar, preferencialmente por escrito ou mensagem clara, cada item adicional sugerido.
- Proibição de retenção: A oficina não pode impedir a saída do veículo por falta de pagamento; A cobrança deverá ser feita por meios legais.
- Devolução de peças: O consumidor tem o direito de exigir a entrega das peças substituídas para verificar o seu estado de desgaste.
Como o Juizado Especial Cível de Goiânia justificou a decisão final?
O juiz Vanderlei Caires Pinheiro, do 6º Juizado Especial Cível de Goiânia, fundamentou a condenação na responsabilidade solidária entre as lojas envolvidas. A sentença determinou a restituição integral do R$ 17.192 pagos por serviços indevidos (danos materiais), além de estabelecer R$ 6.000 como danos morais devido ao caráter abusivo da abordagem.
A decisão destacou que a prática de “condicionar a entrega do veículo ao pagamento de serviços não autorizados” viola a boa-fé objetiva. O valor total da sentença, que chega a R$ 23.192tem caráter pedagógico, visando desestimular outras oficinas a adotarem táticas de intimidação contra consumidores vulneráveis ou tecnicamente leigos no assunto.
O que fazer se for vítima de cobrança abusiva em oficinas?
Caso você perceba que o orçamento inicial foi ultrapassado sem o seu consentimento, o primeiro passo é documentar a negação da autorização. Caso o veículo seja retido, a orientação jurídica é entrar em contato com a polícia para registrar boletim de ocorrência e, posteriormente, tomar medidas judiciais para recuperar os valores e buscar indenização por danos morais.
Em 2026, precedentes judiciais como este de Goiânia facilitam a defesa dos cidadãos contra o superfaturamento. Manter registros de mensagens e fotos de itens pode agilizar a resolução de conflitos em Juizados Especiais. Seguir estas diretrizes garante que o proprietário do veículo tenha segurança financeira e proteção legal contra abusos de mercado.





