O A morte de Kurt Cobain em 5 de abril de 1994voltou ao centro do debate público após uma nova análise forense privada que questiona a versão oficial do suicídio e levanta a hipótese de que possível homicídio.
O que diz o relatório oficial sobre a morte de Kurt Cobain?
Em 1994, o Autoridades de Seattle concluiu que Kurt Cobain morreu em consequência de um ferimento autoinfligido com uma espingarda Remington Modelo 11 calibre 20. A polícia informou que o músico havia injetado uma quantidade de heroína aproximadamente dez vezes maior do que a consumida por um usuário pesado.
O laudo da autópsia registrou presença de líquido nos pulmões, hemorragia nos olhos e danos cerebrais e hepáticos, associados ao tiroteio e uso intenso de drogas. A cena no quarto foi descrita como organizada, com arma, bilhete e utensílios de uso de drogas devidamente catalogados pela perícia, reforçando o cenário de suicídio.
Como a nova análise contesta a versão do suicídio?
A equipe privada de cientistas forenses revisitou registros médicos e fotográficos e apontou detalhes da cena como atípica para um suicídio no contexto de overdose e tiroteio imediato. Um dos focos é o estado do kit de heroína encontrado a poucos metros do corpo, descrito como organizado e com materiais aparentemente manuseados com cuidado.
O kit de drogas incluía seringas tampadas, cotonetes e pedaços de heroína negra de tamanhos semelhantes, com as mangas da camisa de Cobain arregaçadas. A pesquisadora Michelle Wilkins questiona como alguém sob o efeito de três injeções de heroína em dose extrema teria conseguido tampar agulhas e armazenar o material de forma tão ordenada, sem perder rapidamente a coordenação motora e a consciência.
Que descobertas médicas apoiam a hipótese de overdose a longo prazo?
A nova análise argumenta que o líquido nos pulmões, a hemorragia ocular e os danos a órgãos como o fígado e o cérebro seriam mais compatíveis com uma overdose e dificuldade respiratória prolongada. Segundo o grupo, estes sinais indicariam privação de oxigênio antes do tiro fatal, sugerindo que Cobain já poderia estar seriamente enfraquecido quando o tiro ocorreu.
Os autores destacam ainda a ausência, nos registros originais, de menção clara a sangue no trato respiratório, algo considerado comum em mortes por levar um tiro na cabeça. O relatório propõe que o tronco cerebral provavelmente não foi completamente destruído pelo tiro e que a posição do braço de Cobain não corresponderia ao padrão de rigidez esperado quando há danos diretos nesta área neurológica.
Que questões permanecem sobre a dinâmica entre a overdose e o tiroteio?
Mesmo com a nova leitura, a sequência exata entre a overdose e o disparo permanece obscura e abre espaço para diferentes interpretações. Para facilitar a compreensão das principais questões levantadas, a análise recente resume alguns pontos de incerteza sobre o caso e suas circunstâncias:
- Compatibilidade da dose de heroína com a capacidade motora para manusear arma e kit de drogas.
- Organização “limpa” da cena em contraste com um quadro de overdose extrema.
- Diferenças entre o relatório oficial e as novas análises sobre pulmões, olhos e órgãos internos.
- Falta de detalhes específicos sobre sangue nas vias aéreas nos registros originais.
- Dúvidas sobre a integridade do tronco encefálico e rigidez do braço em relação ao momento do tiro.
Como a nova análise impacta o caso Kurt Cobain?
A hipótese de possível homicídio não altera por enquanto o estatuto jurídico do caso, já que o King County Medical Examiner’s Office mantém a causa oficial como suicídio. A agência afirma que não recebeu provas adicionais consideradas substanciais que justificassem a reabertura formal da investigação.
O estudo, no entanto, reacende discussões sobre a qualidade da perícia forense da época e sobre como os casos de grande repercussão são conduzidos, influenciando a memória pública em torno de Kurt Cobain. Até que surjam novos documentos ou exames reconhecidos pelas autoridades, a causa legal permanece a mesma, mas o debate sobre o que realmente aconteceu em Seattle, em abril de 1994, continua ativo entre torcedores, pesquisadores e imprensa.





