O movimento de abordagem de Flávio Bolsonaro com a elite econômica ganhou um novo capítulo em encontro promovido pela Banco BTG Pactualnesta quarta-feira (2/11), quando o Senador do PE, lançado como pré-candidato a presidentereforçou sua tentativa de se consolidar como um nome para centro-direita com diálogo direto com empresários, investidores e executivos do mercado financeiro.
Quais foram as mensagens de Flávio Bolsonaro para a elite econômica?
Em sua apresentação, Flávio Bolsonaro adotou O eixo central é a proposta do “tesouro”, que visa reduzir o peso do Estado na economia e reforçar a previsibilidade fiscal. Diante de um público formado por altas autoridades do mercado, ele procurou transmitir seu compromisso com o controle dos gastos públicos, a revisão da carga tributária e o incentivo ao setor privado.
Em linha com discursos recentes, o senador criticou os governos petistas, responsabilizando-os pelo aumento de impostos, pela ampliação de despesas obrigatórias e por um modelo de Estado que considera ineficiente. Associou esta situação à manutenção de taxas de juro elevadas, ao aumento do custo do crédito e à limitação da capacidade de investimento da União e das empresas.
O que está por trás da proposta do “tesouro”?
A agenda de ajuste defendida por Flávio Bolsonaro envolve o que ele descreve como uma inversão da lógica das últimas décadas, priorizando os cortes antes de novas fontes de receitas. Em vez de aumentar os impostos para apoiar a despesa, o “tesouro” basear-se-ia na racionalização de estruturas consideradas ineficientes e no redesenho do papel do Estado na economia.
Entre os principais alvos, o senador cita gastos com cargos de comissão, publicidade e áreas vistas como de baixa efetividade no setor público, abrindo espaço para investimentos e possíveis reduções de impostos. Ele afirma que a equipe técnica estuda os impactos de cada corte e isenção, comparando o desenho da medida a um “castelo de cartas” que exige equilíbrio setorial. Veja a postagem recente de Flávio:
Sempre que surge uma proposta séria de segurança pública, os petistas se desesperam. Por que seria? pic.twitter.com/UiXaeSMutz
—Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) 10 de fevereiro de 2026
Quais são os eixos econômicos centrais do plano de Flávio Bolsonaro?
Flávio Bolsonaro vincula o “tesouro” a três eixos principais: corte de gastos públicos, redução de impostos e redução da burocracia, reforço de uma agenda de Estado mais enxuta e maior protagonismo do setor privado. O objetivo declarado é criar condições para uma queda estrutural das taxas de juro e estabilidade no ambiente de negócios.
Para traduzir esses objetivos em ações concretas, o pré-candidato destaca frentes focadas no funcionamento diário das empresas e dos investidores, buscando sinalizar previsibilidade regulatória e incentivos diretos à atividade produtiva. Entre os pontos mais enfatizados estão:
- Simplificação fiscal reduzir os custos de conformidade e a incerteza jurídica;
- Corte despesas ineficientesprincipalmente administrativo e de baixa eficácia;
- Reforçar a segurança jurídica para contratos, concessões e investimentos de longo prazo;
- Estimulando o empreendedorismo com menos burocracia regulatória e processos digitais mais ágeis.
Como Flávio Bolsonaro tenta se diferenciar e atrair o mercado financeiro?
Na disputa pelo apoio da elite econômica, Flávio Bolsonaro busca marcar diferenças em relação ao estilo político de seu pai, Jair Bolsonaro, ao afirmar que pretende fazer a campanha “com o cérebro, e não com o fígado”. Ele diz preferir o caminho do diálogo com o Congresso e o Judiciário, visando investidores que associam conflitos institucionais a maior risco e juros elevados.
Ao mesmo tempo, resgata medidas do governo Bolsonaro entre 2019 e 2022, como reduções de impostos sobre combustíveis e isenções setoriais, para reforçar o compromisso com o alívio fiscal. Ele critica a reversão dessas políticas nos governos subsequentes, atribuindo novas pressões sobre os preços e perda de competitividade em setores estratégicos.
Qual poderá ser o impacto político da estratégia?
As mensagens de Flávio Bolsonaro ao mercado cumprem a função de posicioná-lo como representante da centro-direita junto à elite econômica, ao mesmo tempo em que testam a receptividade de seu programa antes do início oficial da campanha. Ao focar o discurso na previsibilidade fiscal, no “tesouraria” e na distensão institucional, ele tenta unir os empresários e a base política herdada do ex-presidente.
O alcance desta estratégia dependerá da capacidade de transformar promessas em propostas detalhadas, indicando claramente quais despesas seriam cortadas, quais impostos poderiam ser reduzidos e como compensar os impactos no orçamento. Até lá, o “tesouro” funciona como uma sinalização ao mercado, enquanto os investidores aguardam mais precisão sobre o plano que poderá ir às urnas em 2026.





