A “cidade fantasma” escondida na mata brasileira, fundada em 1928, hoje encanta os visitantes como um museu a céu aberto

Construída em plena floresta amazônica, às margens do Rio Tapajós, Fordlândiaconhecido como Cidade fantasmatornou-se um símbolo de como um grande plano industrial pode transformar-se em memória e ruína. Criada para abastecer a indústria automobilística com borracha, a antiga cidade atrai hoje pesquisadores, turistas e moradores em busca de renda, história e entendimento sobre urbanização, trabalho e adaptação no Amazônia.

O que foi Fordlândia e por que Henry Ford criou uma cidade na Amazônia?

A intenção de Henry Ford era garantir o fornecimento próprio de látex para pneus e peças automotivas, reduzindo a dependência da borracha asiática. Para tanto, foi assinado um acordo com o governo brasileiro que permitiu a exploração de uma extensa área dentro do Para.

Em vez de apenas plantar seringueiras, o projeto previa uma cidade industrial planejada, com hospital, escola, cinema, áreas de lazer, serrarias, oficinas e bairros residenciais. Hidrantes vermelhos, calçadas forradas e casas padronizadas deram o tom de “cidade modelo” cercada por floresta tropical.

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Como uma cidade americana acabou no meio da floresta amazônica

Como funcionava o modelo de trabalho e de vida em Fordlândia?

A gestão seguiu referências norte-americanas, com horários de trabalho rígidos, disciplina rígida, cardápios controlados e regras específicas para utilização dos espaços comuns. Esse modelo de convivência social dialogava pouco com os costumes amazônicos e gerava tensões constantes.

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Normas que proibiam bebidas alcoólicas, determinavam horários das refeições e impunham um estilo de vida padronizado provocavam resistências e conflitos entre os colaboradores. Há registros de greves, confrontos e insatisfação com as imposições da empresa.

Por que fracassou a produção de borracha em Fordlândia?

O fracasso de Fordlândia como polo seringal estava ligado a decisões técnicas inadequadas ao meio ambiente amazônico. As seringueiras foram plantadas em monocultura densa, favorecendo pragas, fungos e doenças que devastaram a produção.

Os desafios logísticos agravaram a situação: o abastecimento dependia de longas viagens fluviais, com atrasos em equipamentos e peças, aumentando os custos. Com baixa produtividade e despesas crescentes, por volta de meados da década de 1940 o experimento foi encerrado como projeto empresarial.

Como é a Fordlândia hoje e o que os visitantes encontram na cidade velha?

Atualmente, Fordlândia é um bairro com cerca de 1.500 habitantes, comércio básico e serviços limitados, longe da imagem de cidade fantasma. Os edifícios originais permanecem como marcas visíveis do passado, em diversos estados de conservação e reutilização.

O visitante encontra ruínas industriais mescladas à rotina de uma ativa comunidade amazônica, o que torna útil organizar a visita em torno de alguns principais pontos de interesse:

  • Hospital, caixa d’água metálica e galpões industriais parcialmente tomados por vegetação.
  • Vila Americana, com casas reformadas e outras em ruínas, ilustrando diferentes usos ao longo do tempo.
  • Orla do Tapajós, pequenos cemitérios e escolas em funcionamento, que mostram a continuidade da vida local.
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O canal Mundo sem fim superado 926 mil visualizações com um vlog detalhado sobre a visita a Fordlândia, incluindo o passeio de barco, dicas práticas de turismo e imagens aéreas de armazéns e casas abandonadas:

Como visitar Fordlândia e por que o local ainda é relevante?

Chegar a Fordlândia exige planejamento, pois o principal acesso é feito por barco a partir de Santarém ou Itaituba, trajetos que podem levar várias horas. As condições climáticas influenciam a experiência, com praias expostas durante a estação seca e áreas alagadas durante a estação chuvosa.

Fordlândia continua chamando a atenção por reunir ruínas industriais, paisagem amazônica e uma comunidade que ressignifica o antigo projeto. O distrito tornou-se um laboratório vivo para discutir desenvolvimento, meio ambiente, patrimônio e os limites da imposição de modelos externos à realidade da floresta.

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