A decisão desta quinta-feira (15/1) do Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF)sobre bloqueio alterações parlamentares para organizações do terceiro setor ligadas a parentes de políticos abriu um novo capítulo na discussão sobre a moralidade administrativa no 2026ao afetar diretamente a forma como os recursos públicos são alocados pelos deputados e senadores, especialmente por meio das chamadas emendas individuais e de bancada.
Qual deverá ser o impacto da nova decisão sobre as alterações parlamentares?
A partir da decisão, a alocação e execução de alterações parlamentares para entidades do terceiro setor que tenham, em seus quadros administrativos, cônjuge, companheiro ou parente até terceiro grau do parlamentar autor da emenda, ou assessor a ele vinculado. Isso inclui pais, filhos, irmãos, tios, sobrinhos e avós.
A proibição abrange tanto a indicação de novos recursos quanto a execução de alterações já aprovadas que atendam a esses critérios. A orientação também reforça a necessidade de identificação clara dos responsáveis pelas entidades e de maior transparência no processamento e execução orçamentária junto aos órgãos de controle.
Por que o STF ampliou a proibição de emendas para ONGs ligadas a familiares?
O foco da decisão é tentar evitar que entidades sem fins lucrativos sejam utilizadas como ponte para que familiares de parlamentares ou seus assessores se tornem beneficiários finais de dinheiro público. Ao ampliar o entendimento já consolidado de nepotismo, o STF amplia seu alcance de regras de impessoalidade e moralidade também na trajetória das dotações orçamentais.
Flávio Dino baseou sua decisão na Súmula Vinculante 13 do STFque proíbe o nepotismo direto e cruzado, adotando uma interpretação teleológica voltada para a finalidade da norma. Com isso, qualquer mecanismo pelo qual um agente político utilize sua influência para direcionar recursos a entidades capturadas por laços familiares, inclusive por meio de cooperativas ou empresas de fachada, é considerado incompatível com o interesse público.
Como é que a proibição afecta as ONG, os parlamentares e as inspecções?
A decisão aumenta a pressão sobre os parlamentares e seus gabinetes para revisão de parcerias, contratos e indicações de beneficiários de emendas, exigindo maior cautela nas relações com o terceiro setor. Para as ONGs, a medida não impede o recebimento de emendas em geral, mas cria uma barreira objetiva para entidades com vínculo familiar direto com o agente político responsável pela indicação.
Órgãos de fiscalização, como tribunais de contas e ministérios públicos, passaram a contar com parâmetros mais claros para identificar possíveis irregularidades. Isso tende a fortalecer as ações de controle, facilitar as investigações e incentivar a profissionalização da gestão das organizações, incluindo códigos internos de ética e maior transparência nas contratações.
Quais as principais proibições e situações abrangidas pela decisão?
A decisão afeta não apenas o relacionamento formal entre o parlamentar e a ONG, mas também os casos em que a entidade contrata ou subcontrata empresas, ou pessoas físicas ligadas a familiares, que passam a ser beneficiários finais de recursos públicos. Assim, o objectivo é evitar arranjos indirectos e mecanismos artificiais utilizados para mascarar laços de parentesco ou dependência económica.
Nesse contexto, alguns pontos servem de referência prática para aplicação da proibição e para orientar parlamentares, assessores e diretores de entidades do terceiro setor:
- Emenda para ONG com parente de parlamentar ou conselheiro em cargo de gestão ou administração.
- Contratação, pela ONG, de empresas ou pessoas físicas ligadas a esses parentes como beneficiários finais dos recursos.
- Mecanismos indiretos que tentam mascarar os laços familiares ou criar dependência económica simulada, como empresas de fachada.
Quais são os próximos desenvolvimentos no caso?
A decisão de Flávio Dino tende a repercutir no debate sobre as emendas do relator, as emendas individuais e o papel das chamadas emendas secretas, tema já em discussão no STF. A interpretação de que o interesse público não pode ser subjugado aos interesses privados pode servir de base para novas questões judiciais sobre a distribuição e execução do orçamento federal.
O tema também poderia incentivar regras mais detalhadas no Congresso, com requisitos adicionais de transparência para alterações destinadas a entidades privadas sem fins lucrativos. Ferramentas de rastreamento de recursos, divulgação ativa de contratos e identificação de vínculos familiares entre líderes e parlamentares são formas discutidas para reduzir lacunas e prevenir desvios.





