O arquivamento do primeiro pedido de impeachment, nesta terça-feira (2/10)contra o governador de Distrito Federal, Ibaneis Rochamarcou um novo capítulo nas disputas políticas em torno do Conformidade de Operação Zero e as operações do Banco de Brasília (BRB)especialmente no que diz respeito à tentativa de compra do Banco Mestre.
Quais foram as acusações contra Ibaneis Rocha no pedido de impeachment?
O pedido de impeachment, apresentado em janeiro de 2025 pelo jornalista Antônio Vitor Leitão, teve como foco a operação envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB e seus impactos no patrimônio público. A representação atribuída ao governador alegou crimes de responsabilidade ligados ao sistema financeiro, ao uso de recursos públicos e à condução política da operação.
A denúncia mencionava possíveis fraudes e manipulações no mercado de capitais, danos ao erário do Distrito Federal, crimes contra a economia popular e atos de improbidade administrativa. Contudo, o documento procurava vincular Ibaneis às decisões estratégicas do BRB sem detalhar, com precisão, quais atos teriam sido praticados pessoalmente pelo chefe do Executivo distrital:
- Tentativa de compra do Banco Master pelo BRB como eixo central da denúncia;
- Menções a violações do Sistema Financeiro Nacional e da legislação do mercado de capitais;
- Acusações de danos ao patrimônio do Distrito Federal e à economia popular;
- Alegações de improbidade administrativa sem detalhamento individual da conduta.
Por que a Procuradoria da CLDF decidiu arquivá-lo?
A opinião de Procuradoria Geral da CLDFemitida em 4 de janeiro de 2026, apontou falhas formais e materiais na representação, concluindo que o pedido não atendia aos requisitos mínimos para instauração de processo de impeachment. Entre os problemas estavam a incapacidade de provar a legitimidade do queixoso e a falta de uma descrição detalhada da conduta pessoal do governador.
Um ponto central foi a falta de individualização da conduta, pois as críticas à operação BRB–Banco Master eram genéricas e não indicavam claramente decisões específicas tomadas por Ibaneis que violassem a lei. Segundo o Ministério Público, também não existiam elementos mínimos para enquadrar crime de responsabilidade nem provas iniciais suficientes que justificassem um processo político-jurídico desta gravidade:
- Falta de provas adequadas da legitimidade do reclamante;
- Falta de descrição detalhada da conduta pessoal do governador;
- Falta de elementos mínimos para enquadrar uma infração penal;
- Insuficiência de provas capazes de sustentar a abertura do processo.
Quais são os impactos políticos do arquivamento?
No Palácio do Buriti, prevaleceu a visão de que o pedido tinha forte motivação política, num contexto de tensão provocado pela Operação Compliance Zero, que investiga negócios entre o BRB e o Banco Master. A decisão foi vista pelo governo como um sinal de que a Câmara Legislativa está disposta a observar critérios técnicos na filtragem de denúncias de impeachment.
Para a oposição, porém, o pedido não encerra o debate sobre a responsabilidade política de Ibaneis nas decisões que envolvem o BRB, servindo mais como um teste inicial da postura institucional da CLDF. O caso também reforça a centralidade da Câmara como palco de disputa entre governo e partidos de oposição sobre a gestão de bancos públicos e de grandes operações financeiras.
Como estão sendo processados os demais pedidos de impeachment?
A CLDF ainda analisa outros seis pedidos de impeachment contra Ibaneis Rochatodos apresentados por partidos de oposição como PSB, PSOL e Cidadania. O Conselho de Administração informou que as representações serão avaliadas em ordem protocolar, o que cria uma fila para análise e projeta um debate prolongado ao longo de 2025 e 2026.
Cada novo pedido deverá demonstrar, de forma objetiva, quais atos específicos do governador poderão configurar crime de responsabilidade, sob pena de também ser arquivado por falta de requisitos formais e materiais. A forma como esses processos são conduzidos deverá influenciar tanto o futuro político de Ibaneis quanto a percepção pública dos mecanismos de controle das autoridades no Distrito Federal.





