O pisoteio de Fernanda Cristina Policarpo, 29 anosem uma rodovia Bauru (SP)chamou a atenção do país tanto pela gravidade do acidente quanto pelo erro na declaração do óbito, gerando questionamentos sobre protocolos, responsabilidades e falhas humanas no atendimento emergencial. A vítima tornou-se considerado morto para o Samu e foi reanimado por um médico da concessionária, mas recebeu alta e deixou o Hospital Básico na tarde desta quinta-feira (2/5).
O que aconteceu com a mulher dada por engano como morta em Bauru?
Na noite do dia 18 de janeiro, Fernanda tentava atravessar a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) quando foi atropelado por um carro. A pista foi parcialmente interditada e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para prestar socorro.
De acordo com o boletim de ocorrência, o médico do Samu declarou o óbito no local, e o Instituto Médico Legal (IML) foi chamado para retirar o corpo. Após a saída da equipe, o médico da concessionária da rodovia percebeu que a vítima, já coberta por uma manta térmica, respirava.
Como a vítima foi reanimada e tratada após ser atropelada?
Ao perceber que a mulher presumida morta ainda apresentava sinais vitais, o médico da concessionária iniciou imediatamente as manobras de reanimação. O objetivo era restaurar funções vitais básicas e estabilizar minimamente a condição para permitir um transporte seguro.
Fernanda foi levada em estado grave ao Pronto Atendimento Central (PSC) de Bauru e depois transferida para o Hospital de Base, referência regional. Ela permaneceu internada por 19 dias, sendo nove na UTI, registrando resposta aos estímulos no dia 24 de janeiro e recebendo alta da UTI no dia 26 de janeiro.
Que medidas foram tomadas após o erro na certidão de óbito?
A informação de que um paciente teria sido declarado morto pelo Samu e depois reanimado por outro médico motivou a abertura de inquérito pela Prefeitura de Bauru. O procedimento administrativo busca esclarecer se houve falha de conduta, erro técnico, comunicação inadequada ou descumprimento de protocolos.
O Samu abriu inquérito interno e afastou preventivamente o médico que atestou o óbito, até a conclusão da investigação. Em casos como esse, a gestão municipal, os conselhos profissionais e até o Ministério Público poderão atuar caso surjam indícios de responsabilidade civil ou criminal.
Quais são os impactos do caso?
O episódio da mulher dada como morta por engano evidencia a complexidade do atendimento nas rodovias, marcadas por correria, pouca iluminação, ruídos intensos, múltiplas vítimas e traumas graves. Esses fatores podem complicar a avaliação inicial e reforçar a necessidade de protocolos rígidos para confirmação do óbito em campo.
O caso também mostra a atuação complementar entre Samu, concessionária, pronto-socorro e hospital de referência, compondo uma linha do tempo que vai do atropelamento até a alta hospitalar. Essa sequência tem sido utilizada por especialistas para revisão de rotinas de verificação de sinais vitais e critérios de interrupção de manobras de reanimação.





